BEIRAS
O espetáculo BEIRAS enquadra-se
no âmbito do Projeto Províncias que o Teatro Meridional desenvolve desde 2003.
Estas criações têm como características estruturais a não existência de palavra
como principal forma de comunicação cénica - contendo por isso um código
universal de entendimento -, o trabalho dos intérpretes privilegiar a
especificidade da linguagem gestual, a qualidade do movimento e a consequente
expressividade física, e o facto de haver uma paisagem sonora, tocada ao vivo
ou gravada, que acompanha integralmente os espetáculos.
A base de referência criativa
parte do estudo e pesquisa teórica sobre cada região, e inspira-se em
residências artísticas dos criadores em cada local objeto desse olhar artístico
- regiões ou cidades portuguesas. E é precisamente integrada no contexto
geográfico, e da cumplicidade humana e artística que surge esta parceria com a
ESTE – Estação Teatral, Companhia sediada no Fundão, que se associa como
coprodutor – financeiro e artístico – do espetáculo BEIRAS. Desde a sua
criação, em 2004, que a ESTE tem desenvolvido um trabalho profundo de criação artística,
privilegiando a sua relação com o território e com o património da região,
sempre em permanente cumplicidade com a comunidade regional, fatores decisivos
que tornaram natural e desejável o entendimento entre estas duas estruturas
artísticas, tendo em vista a concretização deste projeto.
Numa
aldeia da Beira Baixa, provavelmente em Julho ou Agosto, quando a força da
canícula entra até pelas frestas mais estreitas da noite e nos impede de
dormir, uma melodia sobe no coração da lua, e inesperadamente acaricia o corpo
pequeno, intranquilo e solitário que era então o meu. Acabo de falar no
nascimento da poesia e da música.
Eugénio de
Andrade
CONTEXTUALIZAÇÃO
Os pressupostos conceptuais de
construção deste espetáculo, assentam na procura de um trabalho de exploração
da linguagem gestual, procurando tornar expressivo um universo que identifique
a Região portuguesa da Beira interior. Tendo como ponto referencial de trabalho
a cidade do Fundão (Beira Baixa), a construção do espetáculo terá por base da
sua pesquisa duas residências artísticas na região, com deslocações a algumas
instituições, recolhas literárias, fotográficas, músicas e, sobretudo,
interagindo humana e localmente com pessoas de todos os níveis etários. Não
procuramos a reprodução de um universo antropológico e mimético, mas a escolha
significativa do olhar que se detém no real e depois o fragmenta, para
novamente o articular artisticamente. Nesta nossa experiência teatral
direcionada, onde a palavra não é elemento preponderante, o espaço sonoro
adquire importância vital como dinamizador da poética cénica, sendo que o
trabalho plástico e de figurinos materializa cumplicemente essa mesma poética,
cabendo ao desenho de luz o papel de sublinhar emocionalmente as várias nuances
pelas quais o espetáculo é atravessado.
Miguel Seabra (Encenador)
FICHA ARTÍSTICA
Criação: Teatro Meridional e ESTE – Estação Teatral da Beira Interior / encenação e desenho de luz: Miguel Seabra / interpretação: Emanuel Arada, Joana Poejo, Lia Goulart, Pedro Diogo, Tiago Poiares / espaço cénico e figurinos: Hugo F. Matos / direção de produção: Susana Monteiro (TM) e Alexandre Barata (ESTE) / direção artística ESTE: Tiago Poiares e Sofia Cabrita / direção artística TM: Miguel Seabra e Natália Luiza
Fotografia promocional: @Miguel Proença
Coprodução: Teatro Meridional e ESTE – Estação Teatral da Beira Interior (2026)
ESTREIA: 17 DE DEZEMBRO NO AUDITÓRIO DA MOAGEM (Fundão)
